Carolina Mendes

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Quem sabe cola…

Em atualidades, brasil, sociedade, 23/07/2009 às 19:02

Cada desculpinha hoje em dia, nunca se sabe, lá vai:

Caro companheiro,

Venho por meio desta, respeitosamente (até onde conseguir) esclarecer algumas dúvidas que acredito que o senhor tenha a respeito do sistema de governo na República Federativa do Brasil. Eu sei que vai parecer complicado mas vou fazer de um jeito que vai ser mamão com açúcar.

Temos hoje em funcionamento, como o próprio nome diz, uma república federativa presidencialista formada pela união de 26 estado e Distrito Federal.  Nosso (supondo que vc ainda não o considere todo seu…) país ocupa 47% do território sulamericano. Possuímos também 20% de toda a biodiversidade mundial, nossa terra tem mtas palmeiras onde cantam mtos sabiás.

Ok, números o senhor tem aos montes e não sendo índices econômico pouco importa, voltemos ao básico: É terra pra chuchu.

Para tomar conta de tudo bem direitinho, temos 3 poderes (setores): Executivo (vc é o cara desse setor que faz tudo funcionar direitinho), Legislativo (os caras que fazem a parte chata, ouvem todo mundo, escrevem leis, etc…) e Judiciário (justiça que analisa as leis e os atos e decide se tá todo mundo obedecendo). O executivo e o judiciário são bem simples de explicar mas o legislativo….

Esta tal república federativa presidencialista foi estabelecida pela Constituição de 1988, depois de alguns anos sob um regime não muito bacana que não considerava coisas como a liberdade indivudual lá muito relevantes. O pessoal de 1988, se inspirou na república dos Estados Unidos (controle a implicância!!!!) mas criou um sistema um bocado mais centralizado no governo Federal. Nossos estados tem menos autonomia que os estados dos outros, especialmente na criação de leis. Os caras de 88 acharam melhor todo mundo seguir as mesmas leis para evitar regionalismos injustos.

Lembra quando você (posso te chamar de vc?)  foi eleito pela primeira vez? Foram eleitos também uns caras que compõe um órgão fabuloso que se chama Congresso Nacional, sede do Poder Legislativo. É o Congresso Nacional que cria e discute as regras que vão ser seguidas pelos estados e pessoas (pra vc entender pessoas são os eleitores).

Claro que com um mundão de meu Deus que é esse nosso Brasil, e temos muitos assuntos de prioridades e relevância distintas, seria uma loucura deixar tudo na mão de um grupo só então foram criados 2 grupos: Senadores e Deputados.

Deputados federais são eleitos a cada 4 anos e defendem os interesses do povo que os elegeu. Por isso (agora vc vai sacar) que se vc (batendo na madeira) morre, e seu vice morre, quem assume é o chefe da câmara dos deputados. Ele é o representante escolhido pelos caras que foram escolhidos para representar as pessoas. Os deputados são eleitos em numero proporcional ao numero de habitantes do estado que representam (onde disputaram a eleição) sendo o mínimo de 1 e o máximo de 8 para cada unidade da federação.

Senadores defendem os interesses da unidade federativa que os elegeu (estado). Como estes interesses são um pouco mais complicados e normalmente envolvem muito mais problemas orçamentários, tributários e legislativos, seria uma loucura escolher todo mundo a cada 4 anos, afinal algumas leis e discussões levam um bom tempo para trazerem resultados então decidiu-se por bem que esse poder de criar regras seria dividido em 2 grupos a Câmara dos Deputados (4 anos) e o Senado Federal (8 anos 1/3 renovado alternadamente a cada 4 anos). Senadores são sempre 3 de cada estado, independentemente do número de habitantes. O senadores também elegem um líder, que representa o interesse coletivo dos estados.

Existe um série de regrinhas que esses sujeito tem que seguir. Porque eles não trabalham em um bar e não podem caprichar na dose de alguns fregueses. Porque todos os fregueses, os que bebem e os que não bebem, contribuiram para compra aquele litro de pinga e tem que confiar no sujeito que resolve e distribui as doses.

Para evitar que em um momento de distração (claro que alguém que decide representar seu povo ou seu estado, jamais serviria uma dose caprichada por mal) criram um código, um livro de regrinhas éticas que devem ser seguidas, o tal decoro parlamentar.

Não quero parecer cuzona mas tem especificamente um cara desse segundo grupo, não se assuste, que também é presidente (do Senado), que desobedeceu um porção destas regras. Sim, ele é de uma panelinha amiga da sua mas essas peraltices que ele fez, estão muito erradas mesmo e nós aqui, eleitores, não gostamos nada delas. Não gostaríamos que nossos representantes fossem estes peraltas. Será que o senhor poderia dizer pros senadores darem uma olhada? E pro Presidente do Senado tirar uma licença pra poder ir lá explicar? Só por um tempo, coitado, se for inocente mesmo, melhor se concentrar nisso.

É isso cara, qualquer dúvida me escreve, se eu não souber procuro no Google mas vou tentar ajudar.

Pode confiar, minha mãe, como a sua mãezinha, que Deus a tenha, também nasceu analfabeta.

Ah… Achei esse video do dia em que essa tal Constituição de 1988 foi oficializada. Acho legal, espero que vc goste.

Bjão Lula! :S

De acordo com a Constituição de 1988, o Brasil é uma república federativa presidencialista. A forma de Estado foi inspirada no modelo estadunidense, no entanto, o sistema legal brasileiro segue a tradição romano-germânica do Direito Positivo. O federalismo no Brasil é mais centralizado do que o federalismo estadunidense; os estados brasileiros tem menos autonomia do que os estados norte-americanos, especialmente quanto a criação de leis.

Simultaneamente às eleições presidenciais, vota-se para o Congresso Nacional, sede do Poder Legislativo, dividido em duas casas parlamentares: a Câmara dos Deputados, que têm mandato de quatro anos, e o Senado Federal, cujos membros possuem mandatos de oito anos e elegem-se em um terço e dois terços alternadamente a cada quatro anos. Adota-se o sistema majoritário para a eleição dos senadores e o proporcional para os deputados. Os estados mais populosos tem direito a eleger uma quantidade maior de deputados federais, entretanto as regras dão um peso relativo muito maior aos estados menos populosos. Além disto, o número de deputados é, limitado a no mínimo oito e no máximo setenta para cada estado; e há três senadores representando cada unidade da federação (atualmente 27), independentemente da população.

Os poderes são divididos em Poder Executivo, Poder Legislativo e Poder Judiciário, totalmente independentes e com igual peso político. O Poder Executivo é exercido por um Presidente da República, que acumula as funções de chefe de Estado e chefe de Governo, eleito quadrienalmente, com possibilidade de apenas um reeleição consecutiva.

Milton, cantou a bola…

Em atualidades, brasil, sociedade, 19/07/2009 às 23:11

Tocar no nome do Friedman, citar uma reportagem da Veja e contestar os programas sociais DOS GOVERNOS é potencializar as chances de ser criticada ferozmente. Mas vou me arriscar.

Numeros da reportagem “O Paradoxo Nordestino”, publicada na Veja deste final de semana, página 173.

Em 10 anos a economia nordestina cresceu duas vezes mais que a brasileira e triplicou de tamanho;

São de lá 48% dos  brasileiros que saíram da pobreza desde 2002;

O governo atual investiu 42% dos recursos do Programa de Aceleração ao Crescimento (PAC);

Maceió tem hoje 104 homicídios por 100 mil habitantes, mais do que noo Iraque;

Salvador tem 6 assassinatos por dia, 79% mais que em 2006. Dobro da incidência do Rio de Janeiro e seis vezes a de SP. Em alguns bairros vigora o toque de recolher. Métodos da própria polícia pioram os números.

Curioso o destaque que a matéria recebeu, página central, atrás de um encarte publicitário da Editora Abril. Curioso também se chamar paradoxo.

Existe espanto ou mistério no que está acontecendo?

É óbvio que eu sou contra a fome, contra a exclusão social, contra a violência, contra o analfabetismo. Não estou pregando contra ou a favor do governo atual ou questionando a legitimidade ou necessidade dos projetos em andamento. Estou ecrevendo este post  justamente por acreditar em inclusão, não apenas econômica mas também social.

Entendo que enquanto esta inclusão não acontece, as pessoas não devem continuar em condições sub humanas ou com fome. Mas me preocupo com as consequências desta injeção artificial de riqueza em uma organismo já tão fragilizado.

Não tenho as respostas, mas proponho o debate.

Se por acaso interessar, mais de Milton Friedman, recomendo…

http://pt.wikipedia.org/wiki/Milton_Friedman

Sobre a educação, se alguém se arriscar e conseguir concluir algo:

http://portal.mec.gov.br/mec/index.php

(“) Surpresa (“)(?)(!)

Em atualidades, brasil, 17/07/2009 às 19:40

20 anos atrás as pessoas olhavam com desconfiança o nosso hoje presidente.

Lula, 1989 entrevistado pelo Sérgio Malandro no Show de Calouros, Programa Silvio Santos

Existia um medo no ar quando ele venceu a primeira eleição.

Existia também esperança, existia euforia, existia liderança.

Agora, existe um filme.

Na ficção existiu um outro político que atraiu a atenção de todos

Na Unesco sob os olhos do mundo

No palanque sob olhares míopes

Me enoja mas não me espanta a crise do senado. O Sarney fez, faz e se deixarem vai continuar sendo o Sarney, é do que ele é feito.

Me espanta tudo que não foi mudado ou tocado pela sopro da prosperidade. Me espanta a falta de clareza e a impossibilidade de movimentação da política nacional. Eu entendo, quase sempre .como chegam ao poder, não entendo com que desculpa se mantém lá por tantos anos.Deve ser uma mobilização monstruosa.

Não chamaria de luta, chamaria de vida.

A vida continua.

A safadeza, quando fica desse tamanho, é insustentável.

Uma das maiores putadas já testemunhadas por aqui.

Amanhã, vai ser outro dia.

Amanhã, vai ser outro dia.

Putadas futuras

Em atualidades, cultura, sociedade, 15/07/2009 às 16:09

Tive uma idéia.

Vejo diariamente muitos artistas (declarado, profissionais, assumidos, formados, amadores, ignorantes, talentosos, etc e tal…) por um motivo ou outro perdidos por aí.

No mundinho de galerias de arte (arrogância,  preguiça, ganância ou comodismo) muita gente de fora tentando entrar e muita gente dentro que não consegue acompanhar as mudanças do mundo.

Já disse mais de uma vez nos blogs por aí e insisto: arte é a representação da humanidade que nos une e pode sim mudar o futuro dessa nossa racinha de tantos babacas.

Vou lançar um desafio coletivo, exibicionista ou anônimo, interativo e livre.

Dúvidas serão esclarecidas no outro blog.

Explore mais no http://tempotrema.blogspot.com

Semente no ar

Des-cursos

Em atualidades, brasil, mundo, 12/07/2009 às 16:29

“O Grande Ditador” foi o primeiro filme em que Chaplin falou. Chaplin falou em 1940, numa clara afronta a Hitler e ao fascismo que reinava na época. Foi filmado e lançado um mês antes dos Estados Unidos entrarem na Segunda Grande Guerra. Na época o mundo estava dividido entre extremistas de direita e esquerda.  Líderes autoritários geravam num primeiro momento a falsa impressão de segurança e reforço das supremacias nacionais em tempos de incertezas e dificuldades econômicas.

A ligação de Chaplin com a esquerda culminou na proibição de retornar aos Estados Unidos, após uma temporada na Inglaterra. Acusado de atividades “antiamericanas” pelo governo de Macarthy decidiu ficar na Europa, fixando residência na Suíça.

Charlie Chaplin é reconhecido como um dos gênios de sua época. Após o descobrimento do horror do holocausto, Chaplin declarou que não conseguiria mais parodiar regimes autoritários. Depois do horror do holocausto se instituiu um tribunal internacional que julga crimes contra a humanidade. Um mecanismo  que julga lideres de regimes autoritários e opressores.

No ano seguinte em que Chaplin falou nas telas pela primeira vez, nascia o atual presidente da Líbia. Kadafi entrou para o exército aos 23 anos. Em 1969 liderou um golpe militar que derrubou a monarquia pró-Ocidente do rei Idris I. Enquanto Presidente do Conselho do Comando Revolucionário da Líbia confiscou até 1977 os bens das comunidades italiana e judaica, também em 77 torna-se presidente do país. Kadafi é extremista, nacionalista e religioso. Defende a união dos países de língua e civilização árabes, promove a islamização da África, e em nome da causa palestina promove ações terroristas.  Um homem que constrói com o dinheiro do petróleo mesquitas e templos em  regiões pobres da África, onde distribui alimentos e ideologias radicais.

Foi emitido pelo Tribunal Criminal Internacional, baseado em Haia (Holanda), por crimes contra a Humanidade e por crimes de guerra, um mandato internacional de captura ao dirigente sudanês Omar al-Bashir. Foi a primeira vez que o Tribunal emitiu uma ordem de captura de um dirigente em exercício. Bashir não só não foi capturado como continua circulando. Isso é possível por contar com o apoio de outros líderes africanos, com a União Africana e Conferência Islâmica.

Bashir promoveu perseguição a africanos não islâmicos. Desde 2003 que mais de 300.000 darfurianos foram mortos e 2,7 milhões foram forçados a abandonar os suas casas . Bashir baniu as instituições humanitárias ocidentais, fonte de socorro a população. A atriz e humanitária Mia Farrow fez uma greve de fome para atrair atenção e solidaridade à situação desses refugiados. A iniciativa foi seguida por outras personalidades e mais de 400 anônimos em 25 países.

Estes são os dois homens que nosso fofo presidente abraçou com esfuziante entusiasmo, deu um tapinha nas costas e convidou para vir ao Brasil.

Vai ver dona Marisa Letícia ficou com as empadas que encomendou pro Mahmoud encalhadas, e o Lula convidou Kadafi e Bashir para aproveitar os quitutes.

Eu vou aproveitar o domingo para rever “O Grande ditador” do Chaplin.

Cinema  onde o ditador é humano. No cinema e no governo Lula.

aFundação

Em atualidades, brasil, 10/07/2009 às 19:11

Fundação é uma pessoa jurídica (sociedade) composta por um patrimônio personalizado para uma ou mais finalidades específicas sem “fins lucrativos”. Fundação não tem proprietário, “nem” titular, sócios ou acionistas.
Fundação é dirigida por “administradores” ou curadores, conforme “seus estatutos”. Seu patrimônio destina-se a um fim econômico determinado.
José Sarney afirma que não tem “responsabilidade” sobre a Fundação Sarney. É “apenas” presidente de “honra”. Também disse não ter culpa da zona política no “Senado”.

Qual a função dele no Senado mesmo? Presidente? De honra? Estranho…

Sarney “parece” ter usado seu poder e influência para privilegiar seus interesses pessoais. Bom saber que os interesses de “alguém” estão sendo atendidos pelo nobre senador.

Argumentos sugerem que, o teor dos pedidos, não infringe a “Lei”.

Sim, eu coloquei muitas aspas no texto. Tudo muito relativo hoje.

Não sei porque, mas lembrei dessa cena de “Vida de Inseto”:

Mosquinha esperta: “Não olhe a luz Harry”
Mosquinha hipnotizada: “Mas é tão bonita”
Bzzzz
Fim

O homem que te copiava

Em atualidades, mundo, 09/07/2009 às 22:10

coreia do norte
Kim Jong Il é nome do coleano maluco. Por motivos práticos chamarei-o-o de agora em diante de K-Ji. (…)

K-Ji nasceu em 1942, filho do antigo líder Kim Il-sung. K-Ji atualmente ocupa os cargos de secretário geral do Partido dos trabalhadores da Coreia e de presidente da Comissão Nacional de Defesa. É popularmente chamado de “querido líder” e está presente em praticamente todos os aspectos da vida da população, fazendo dele o líder mais totalitário da atualidade. Já nomeou seu filho como seu sucessor.

Desde que assumiu, a figura aparece nas notícias pelo estilo de playboy, por gostar de mulheres (as mais jovens principalmente) e bebidas. K-Ji gosta das coisas boas da vida rica e capitalista e admira filmes de faroeste.

Com problema de fluxo de caixa, o genial governante, com pouco dinheiro e muitas idéias, no final da década de 70, teria comprado do governo Irã “uma impressora genuína de dólares após a queda do Xá”. Começou a produzir as notas logo em seguida que já em 80 começaram a distribuir, por Singapura partindo em seguida para Europa, o Médio e o Extremo Oriente na década de 90. Com o lucro de fabricar falsificações impressionantemente bem feitas e se aliar a organizações terroristas, K-Ji financiou seu programa bélico que resultou nas tais bombas que estão apavorando todo mundo.

O governo autoritário de K-Ji conseguiu praticamente criar um bloco econômico, se aproveitou da ganância dos sistemas paralelos e devidamente reprimidos e excluídos por ilegítimos na maioria dos casos, para lavar o dinheiro proveniente da venda de dinheiro falso. Sim, ele financiou o programa bélico com dinheiro verdadeiro. Dinheiro verdadeiro da venda de dinheiro falso. É tão doido que eu tive que repetir. (…)

Esses tais humanos não são fabulosos? (…)

original no Neosaldina Chick

Cinza

Em atualidades, sociedade, 09/07/2009 às 22:09

grey_gardens
Phelan Beale era um advogado americano neto de John D. Phelan, membro da Suprema Corte de Justiça do Alabama. De família rica, casou-se em 1917 na Catedral St. Patrick´s em NY com toda pompa e circunstância com Edith Ewing Bouvier, filha de seu sócio no escritório de advocacia Bouvier & Beale.

Em 1923/24, Phelan Beale e Edith Ewing Bouvier Beale compraram uma mansão de veraneio na pomposa cidade novaiorquina de East Hampton. Apenas 2 anos depois, Phelan e Edie se separaram e em 1931 se divorciaram. Edie ficou com a casa de praia,a filha do casal e praticamente nenhum dinheiro. Depois que Phelan abandonou a esposa e a filha, Edith mãe e Edith filha sem dinheiro entraram em décadas de decadência, pobreza e alienação na mansão.

Grey Gardens é como a casa das duas mulheres ficou chamada por causa da cor das dunas de areia os muros de cimento que a cercavam e o efeito que anos de maresia causaram. Tempo e abandono levaram a água corrente, o bom senso e trouxeram a casa, nas décadas que se seguiram, pulgas, gatos, ratazanas, lixo e um ar de excentricidade que resultou em artigos de 2 revistas americanas de prestígio. A exposição da surreal vida dessas mulheres chamou atenção de curiosos e do Departamento de Saúde que começou então a ameaça-las de despejo.

No verão de 72, as sobrinhas (e primas) socialites das mulheres Beale, Jackeline Onassis e sua irmã Lee, constrangidas pela reprovação da opinião pública providenciaram que reparos fossem feitos na casa, para que as normas de segurança e higiene do condado de Suffolk fossem atendidas e o despejo fosse evitado.

Os cineastas Albert e David Maysles se interessaram pela história toda e em 1975 filmaram um documentário que lançado em 1976 foi aclamado pela critica e atraiu atenção para as duas mulheres surrealmente educadas de gestos refinados que alienadas se transformaram em figuras caricatas de decadência.

Edie mãe morreu em 1977 e Edie filha vendeu a casa em 1979. Morreu em 2002 aos 84 anos. O ex editor do Washington post e sua mulher, depois da compra restauraram completamente a casa e seus jardins e hoje a alugam durante 11 meses do ano. Desde 1975, todos os envolvidos nas filmagens diante e atrás das câmeras continuaram explorando o interesse quase sádico das pessoas por esse espetáculo que quase 50 anos de isolamento provocaram.

É a versão americana de uma história que se repetiu ao redor do mundo. Dinheiro, poder, comodismo e decadência.

O espantoso do documentário é ver essas duas mulheres ignoradas pelos vizinhos ricos e as primas poderosas, felizes, cantando e dançando sobre pilhas de lixo e em meio a dezenas de animais, Edie filha envolta em echarpes e broches, mostrando álbuns de fotos de bailes de debutante, os gestos polidos e as declarações sem sentido. Os comentários da Edie mãe ainda parecem mais realistas mas, em momento nenhumum essas duas mulheres estavam deprimidas ou sentiam rancor.Basicamente 2 alienadas felizes em um mundo paralelo. É o limite da loucura, o auge da negação. Depois de assistir “Grey Gardens” mais de uma vez começo a pensar que talvez a vida não seja muito ruim quando se está maluca. São só mulheres paradas durante mais de 40 anos, esperando uma segunda chance que nunca chegou. E a vida passou.

Leio muito. Livros, jornais, blogs, ouço histórias, assisto o tempo passar depressa e as segundas, terceiras, quartas, chances não se materializarem. O país está se tornando nossa casa na praia. Mostramos aos curiosos nossas fotos de debutantes cercados por lixo, cantamos e dançamos no nosso delírio de felicidade, esperando que algo aconteça. Caminhamos pelo jardim e sorrimos para as câmeras. Na nossa colônia de férias chamada Brasil o clima é ameno, o tempo passa depressa e podemos esperar nossas chances, sentados.

Parados e distraídos com nossas lembranças, discos e bichinhos de estimação esquecemos de olhar pro lado. Percebemos que o tempo passou quando ligam as câmeras, e nos interrogam com microfones em riste. Se nossa prima rica se incomodar, dá um tapa nos nosso cortiço Brasil. Atenuada nossa desgraça o interesse acaba, nosso filme sai de cartaz e mais 40 anos se passam.

Ontem meu amigo Rodrigo Lamim comentou com frustração, depois de ver a não mobilização das pessoas nas passeatas pedindo a saída do Sarney da política, que temos mais senadores eleitos do que pessoas dispostas a protestar contra a corrupção. Nosso Bono Vox brasileiro Tico Santa Cruz escreveu em seu blog uma carta aberta parabenizando o Sarney e assumindo o fracasso das suas iniciativas. Começa assim, com apatia. Ou termina assim ainda não sei muito bem. Vou esperar o documentário pra saber.

original no Neosaldina Chick

Morte anunciada

Em atualidades, brasil, 09/07/2009 às 22:07

“Se quem controla o passado, controla o futuro; quem controla o presente, controla o passado… quem controla o passado controla o futuro. Quem controla o presente agora?! Agora testemunhe, está logo atrás da porta”.

Eu adoraria, Seu Sarney, incluir um obtuário sobre sua vida política, mas ainda olho com desconfiança seus carrascos e executores, tenho medo que tenham no momento final fraqueza e por covardia não deixem cair a lâmina da guilhotina sobre seu corpo velho, sua moral carcomida e seu orgulho embostado. Tire o smoking, não se preocupe em usar black-tie, sua morta vida política repousará num altar de merda. Acompanharei o espetáculo a uma distância segura, que poupe meus sapatos e me permita observar quais de seus aliados se debruçarão sobre o caixão para beijar suas mãos. Quantos apadrinhados irão chorar e quantos herdeiros abutres rodearão a massa podre para dividir o poder.

“[...] O Partido procura o poder por amor ao poder. Não estamos interessados no bem–estar alheio; só estamos interessados no poder. Nem na riqueza, nem no luxo, nem em longa vida de prazeres: apenas no poder, poder puro. (…) Somos diferentes de todas as oligarquias do passado, porque sabemos o que estamos fazendo. Todas as outras, até mesmo as que se assemelhavam conosco, eram covardes e hipócritas. Os nazistas alemães e os comunistas russos muito se aproximaram de nós nos métodos, mas nunca tiveram a coragem de reconhecer os próprios motivos. Fingiam, talvez até acreditassem, ter tomado o poder sem querer, e por tempo limitado, e que bastava dobrar a esquina para entrar num paraíso onde os seres humanos seriam iguais e livres. Nós não somos assim. Sabemos que ninguém jamais toma o poder com a intenção de largá-lo. O poder não é um meio, é um fim em si. Não se estabelece uma ditadura com o fito de salvaguardar uma revolução; faz-se a revolução para estabelecer a ditadura. O objetivo da perseguição é a perseguição. O objetivo da tortura é a tortura. O objetivo do poder é o poder.” (1984)

Michael não soube dizer não, não soube ser pessoa e virou Rei de um mundo pop que tinha como nobreza rapazinhos e garotinhas loiros de rosto angelical e corpos definidos. Conquistou sua coroa mesmo negro, pobre, feio e jovem, por ser fenomenalmente talentoso, ousado, inovador e ingênuo. Ingênuo porque acreditou que genialidade musical era suficiente. Não era suficiente para ser Rei, pelo menos não Rei do Pop americano. No pop, é preciso muita capa de tablóide, e pra ter capa de tablóide é preciso sair da realidade humanamente viável. E nunca colocar um ponto final.

“Se a liberdade significa alguma coisa, será sobretudo o direito de dizer às outras pessoas o que elas não querem ouvir.”

Líderes iranianos com nomes cheios de “Ls”, “Ms”, “Ds” e vogais; o mundo está de olho em vcs. Não pensem oposição ou situação que nossa solidariedade é governamental ou contra a corrupção, não acaba com as “mudanças” ou “não mudanças” que vem agora, o mundo é meu quintal.

“O homem é a única criatura que consome sem produzir.”

A gripe suína voltou a baila, será que os laboratórios já restabeleceram os estoques? Que venha a gripe suína, vou combater com chá.

“A guerra é a paz. A liberdade é a escravatura. A ignorância é a força.”

Ontem foi aniversário da rendição da Paris aos Nazistas. Na época, injustiça, corrupção, autoritarismo e opressão estavam levando a melhor mas nós (humanos) viramos o jogo. Viramos?

“O que é preciso, acima de tudo, é deixar o significado escolher a palavra, e não o contrário. Em prosa, a pior coisa que alguém pode fazer com as palavras é render-se a elas.”

Mudanças ortográficas chegam ao dicionário Houaiss. Aí eu pergunto. Se ninguém aprende nada na escola, não se precisa mais de diploma para jornalismo para escrever em veículos midiáticos e quem sabe escrever diz que não vão abandonar os acentos ortográficos, incluir no Houaiss pra que? Vou começar um reforma ortográfica aqui, vou ensinar todo mundo a escrever. Com hífen e trema. Gosto de eqüinos.

No último dia 25 de junho, o escritor George Orwell faria 104 anos. Suas obras estão entre as mais instigantes e conscientes da natureza e dinâmica social, política e histórica que já foram publicadas. Seu livro 1984 é um dos meus preferidos, pra se ler e reler em qualquer idade. Trechos de obras do Orwell foram incluídos neste post.

Bjo!

original no Neosaldina Chick

Ah, o seu Sarney…

Em atualidades, brasil, 09/07/2009 às 22:03

Estou onde o rei vai só.

Escrevendo sobre o Senado sentada no meu trono.

Deus abençoe o wireless.

seu sarney(em minúsculas):

O Sarney foi o primeiro político que me desapontou. Eu tinha 5 anos e fui assistir o cortejo do corpo do Tancredo. O Tancredo que derrotou a chapa do Maluf.

Lembro claramente do caixão desfilando coberto de flores. Cada segundo. Lembro da posse do Sarney e da impressão de desânimo coletivo. Difícil se animar muito com o vice de qualquer coisa. Ainda mais porque, quando o Tancredo morreu, o presidente da Camara era o Ulysses Guimarães, e como o processo eleitoral era todo meio nebuluso ainda e não havíamos tido eleições por voto direto, não se sabia bem se quem ia assumir era o Sarney (vice de um presidente que não tinha assumido…) ou o Ulysses. Falando em assumir, eu vou ter que assumir que eu torcia pro Ulysses. Aos 5 anos, achava o Sarney feio.

Muito bem, nosso Sarney começou filho da dona Kiola Ferreira de Araújo Costa e do Sarney de Araújo Costa e foi batizado José Ribamar Ferreira de Araújo Costa. O “José Sarney” veio da política, pequeno Ribamar nas campanhas políticas era conhecido como “Zé do Sarney” assim como nós chamamos a “Roseanna do Sarney”. O ainda Ribamar, foi eleito em 1955 deputado federal, carreira meteórica pra quem havia ingressado na vida pública apenas 5 anos antes. Um fenômeno, quase um Obama.

Em 1966, Ribamar foi eleito governador do Maranhão pelo primeira vez. Parece que desde esses tempos algo de errado acontecia porque o amigo do Ribamar, Glauber Rocha (cineasta), produziu um documentário chamado “Maranhão 66″ que misturava cenas da posse com cenas do povo maranhense. Mesmo amigos, o Riba rejeitou o filme do Glauber.

Ribamar virou José Sarney oficialmente em 68, fez alianças, participou de movimento literários, cursou direito e se juntou ao Tancredo na chapa de oposição a chapa do filho do Salim. Sarney pai e Maluf pai eram variações sobre um mesmo tema. Homem rico e influente que num tempo que a riqueza era algo tão perene que a preocupação maior dos patriarcas era o poder. E imagino que dos filhos a superação.

No poder como presidente, Sarney (tradicional família politica e oligarquica maranhense) conduziu o país à redemocratização, devolveu o poder a um povo que elegeu por voto direto o Collor (tradicional família oligárquica alagoana). Não estou fazendo insinuações, tá nos livros de história e internet pra quem quiser ver.

Desde o primeiro mandato do Ribamar, Sarney sempre apoiou o governo. Apoiou sempre a turminha dos “filhos de”, acho bem claro quando penso a respeito, o objetivo principal do ex- Ribamar. Acho que na verdade ele nunca foi Ribamar assim como o Maluf nunca foi Paulo e tantos outros nunca foram nada além de uma sombra, uma nuvem negra de ganância e esperteza. São os filhos dos “donos”. As carecas, as falas eloquentes e o pedigree não impressionam.

Seus dias de donos do Brasil explorado e cego estão no fim. Não dá pra enganar tanta gente por tanto tempo. Os Ribamares vão estudar, os Paulos vão perder o medo do povão e a verdade vai aparecer. Vcs deviam ter pedido uma mesada pros papais e mudado pra Mônaco. Não é o governo mas lá ninguem repara nos playboys, principalmente os Sudacos (sulamericanos), eles vêem vcs como escória, novos ricos de países pobres. Sabem oq vcs levam na sola dos sapatos, terra explorada com cheiro de pobre.

Fim. Comecemos a limpar. Hit play if you dare.

original no Neosaldina Chick

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